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Antiga rádio e TV pública da Grécia espera apoio do Syriza para recomeçar

Jornalistas e técnicos da antiga radio e televisão pública grega (ERT), fechada em 2013, ainda transmitem hoje, em Salônica, a partir das antigas instalações. Após a vitória eleitoral do Syriza, eles

querem o regresso da estação e programas “mais saudáveis”.

Na tarde de quarta-feira houve plenária geral nas instalações de rádio da ERT 3, a antiga estação pública que o ex-governo da coligação Nova Democracia-Pasok dissolveu abruptamente, em 11 de junho de 2013, após 75 anos de transmissões contínuas.

Dezenas de jornalistas desta estação de rádio e televisão, que transmitia em nível nacional, decidiram prosseguir com as transmissões. Após fechar a estação, o governo anunciou uma “organização pública midiática, mas sem controle partidário ou estatal” (Nerit), desde então definida como a “televisão do governo”.

A jornalista Christina Siganidou divide com dois colegas a apresentação do noticiário noturno da ERT, transmitido a partir das 22h. Apresenta ainda um programa cultural semanal e inclui-se entre a metade dos 2.656 jornalistas, técnicos e administradores que recusaram aderir ao novo projeto midiático – que não reconheciam como legal – e que acabou por integrar cerca de 600 trabalhadores. “Conseguiram nos dividir. Muitos assinaram a proposta do governo, e entre os que não assinaram, muitos caíram em depressão”, reconhece.

Mas a vitória do partido da esquerda radical nas legislativas de domingo (25) devolveu-lhes alguma esperança. Para além de prometer o regresso da antiga televisão pública, o partido do primeiro-ministro Alexis Tsipras também mantém na agenda a exigência que os inúmeros canais privados – apadrinhados pelos anteriores governos, e que facilmente garantiram licenças nos últimos anos – comecem a pagar impostos e saldem uma dívida de muitas centenas de milhões de euros.

Na perspetiva da jornalista, o fim da ERT teve como objetivo conceder aos privados a generalidade das frequências digitais para a transmissão de programas televisivos, contrariar a crescente independência editorial da estação – por tradição, sempre pressionada pelo poder – e a demissão imediata de 5 mil funcionários dependentes do Estado, uma exigência da “troika” internacional.

“Temos desejo de total independência a partir de agora”, diz Christina. “Estamos discutindo a formação de um comitê, com um membro de cada editoria e em cada cidade no país, temos de fazê-lo muito depressa. Dois membros da ERT foram eleitos para o Parlamento [pelo Syriza], é muito importante”, enfatizou.

A apresentadora do jornal da noite da ERT3 explica que continuam regendo-se por uma “organização horizontal”, na qual as assembleias gerais se mantêm como “instrumento máximo de decisão”. De início, após a interrupção do sinal, os trabalhadores da ERT começaram a transmitir os programas televisivos por via alternativa, e foram recuperando audiências.

Mas as dificuldades são evidentes. “Durante um ano recebemos subsídio de desemprego, e desde então não temos nada; somos apoiados por amigos e família. E mudamos o nosso estilo de vida”, prossegue Christina. Para a apresentadora da ERT alternativa, após a vitória do partido anti-austeridade, as perspetivas passam pela reabertura do canal público “com uma estrutura e programas mais saudáveis”.

Nas últimas semanas, a equipe de jornalistas que insistem em manter viva a ERT tem recebido novos apoios, novas adesões, e assistido ao regresso de antigos jornalistas. “São dificuldades muito agradáveis. Tentamos equilibrar o que foi a ERT e o que temos sido nos últimos 20 meses, tentamos ter um microfone aberto para todos os setores da sociedade que foram excluídos da televisão pública”, diz Kostas Karikis, programador de televisão.

No caso de reposição da ERT pelo governo Syriza, Karikis exclui qualquer medida administrativa, em particular contra os antigos colegas que optaram pela Nerit. “Há pessoas que foram obrigadas, que foram enganadas, que não tinham meios de sobrevivência, e aceitaram salários muito baixos. O futuro da televisão pública deve começar de novo, e de forma justa, a prioridade não deve ser a punição, primeiro a justiça e não a punição”.

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