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Celac é fundamental para debater agenda específica da região, diz professora

A Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos (Celac), que encerra hoje sua 3ª Cúpula de Chefes de Estado, em San Jose, na Costa Rica, foi criada em 2011 como um

mecanismo de diálogo e concertação política. Pela primeira vez, o bloco reúne os 33 países da região, com o compromisso de avançar no processo de integração, equilibrando a unidade e a diversidade política, social e cultural dos seus 600 milhões de habitantes. De acordo com a professora do Departamento de Relações Internacionais da Pontifícia Universidade Católica (PUC-SP) Terra Budini, sua criação é relevante para o cenário regional e pode, inclusive, ter contribuído para a reaproximação entre Cuba e os Estados Unidos.

“É a primeira vez que surge uma organização formalizada apenas com os países latino-americanos e caribenhos, sem a presença dos Estados Unidos e do Canadá. Isso não quer dizer que o bloco signifique uma oposição declarada aos Estados Unidos, mas considera que a região tem uma agenda específica e é importante ter um fórum institucionalizado para debater seus problemas específicos”, avalia Terra. Segundo ela, o fortalecimento da concertação política dos países da América Latina e do Caribe e a aproximação do bloco com a China podem ter, de alguma forma, acelerado a disposição dos Estados Unidos em reatar relações diplomáticas com Cuba.

Para a professora, a articulação do grupo de forma mais autônoma, sem a presença dos Estados Unidos, e a aproximação com a China, montam um cenário que exige da política externa americana a busca por uma reaproximação e o resgate de alguma influência [na região]. “A reaproximação com Cuba é muito simbólica porque os países latino-americanos e caribenhos defendem o fim do embargo”, disse.

O professor do Instituto de Relações Internacionais da Universidade de São Paulo (USP) Alberto Pfeifer concorda que a reaproximação entre os dois vizinhos, rompidos há mais de 50 anos, tem a ver com a presença norte-americana no hemisfério, que nos últimos anos teve sua influência ameaçada pela entrada de capitais chineses. Em sua opinião, no entanto, o avanço no restabelecimento das relações diplomáticas entre os Estados Unidos e Cuba enfraquecerá, inevitavelmente, o papel da Celac, que poderá perder sua razão de existir.

“A Celac segue como um ponto de encontro entre as lideranças dos países latino-americanos e caribenhos. Eles representam, de certa forma, uma linha paralela e alternativa ao outro arranjo político no hemisfério, que é a Organização dos Estados Americanos (OEA), mas, com uma normalização da relação mais sensível entre os Estados Unidos e Cuba e a presença já anunciada de Raúl Castro e Barack Obama na Cúpula das Américas, em abril, no Panamá, também perde um pouco do seu poder integracionista”, avalia Pfeifer. Nesse ponto, o professor da USP defende que o Brasil deve aproveitar todos os instrumentos disponíveis para o alcance de seus interesses nacionais, mas focar principalmente no fortalecimento de sua atuação autônoma e em aproximações e acordos bilaterais na América Latina. Segundo ele, em fóruns como a Celac, o “poderio relativo do Brasil fica muito diluído.”

De acordo com a professora Terra, o desafio do bloco é coordenar posições comuns dos 33 países-membros para sua inserção em um cenário internacional mais abrangente. “Temos um cenário internacional instável, com a China como um polo de poder importante, a Rússia buscando seu papel. Não é a mesma ordem que a gente via no pós-Guerra Fria, mas ainda não dá para dizer que haja uma ordem nova, como polos bem definidos. A possibilidade de a América Latina ter algum tipo de espaço em uma ordem internacional que se desenha é coordenando suas posições. O grande sucesso seria coordenar suas posições e eles vêm tentando fazer isso”.

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