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Alunos protestam contra demissão de professora em Barra Grande e pedem saíde do vice-diretor

Alunos da Escola Municipal Maria Amélia Genê Pirajá, na vila de Barra Grande, se manifestaram contra a demissão da professora contratada, Izabella Salles. Em vídeo que circula nas redes sociais, é possível ver os alunos da escola em coro pedindo a saída do vice diretor da escola Alexsandro Muniz. Os alunos ainda elaboraram um abaixo assinado pedindo o retorno da professora que fora demitida, segundo eles, de forma injustificada.

Segundo o professor Marcos Lago, que leciona Língua Portuguesa na unidade escolar, o vice-diretor vem sendo contestado desde o momento de sua indicação por não possuir formação adequada para assumir a função dentro do quadro administrativo da escola. O professor ainda relatou que desde que assumiu a vice direção, a direção da escola tem tomado decisões arbitrárias como a marcação de eventos e fixação de datas limite conclusão de projetos sem qualquer consulta ao restante da comunidade escolar, além de praticar de forma recorrente o abuso de autoridade, assédio moral e profissional com os professores da unidade escolar, em sua maioria contratados. Marcos ainda contou que a forma arbitrária de gerenciar a escola tem ocasionado vários prejuízos ao calendário letivo com vários dias sem aula, o que pode impossibilitar o cumprimento dos 200 dias letivos previstos na Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB). Várias denúncias formais foram protocoladas contra o vice-diretor junto ao conselho escolar, segundo o professor, sem que nenhuma atitude fosse tomada. Ele, inclusive, já havia redigido uma carta aberta ao Conselho Escolar relatando a situação (clique aqui para ler).

Para Marcos, a demissão da professora teve motivos políticos, tendo em vista que Izabella teria aplaudido suas cobranças em uma reunião do conselho escolar, além de ter registrado um Boletim de Ocorrência contra Alexsandro por assédio moral. Ele nega que tenha incentivado os alunos a se manifestar ou praticar qualquer ato contra a direção da escola, e que apenas aproveitou o questionamento de um aluno sobre a confecção de um abaixo assinado para, em sua aula de Língua portuguesa, ensinar sobre este estilo textual. E disse que só se manifestou quando foram emitidas suspensões para punir os alunos que assinaram o abaixo assinado redigido pelos próprios discentes.

A professora demitida

Em meio deste turbilhão de acontecimentos, a professora Izabella Salles, contou ao Maraú Notícias que se sentiu surpresa com a demissão e, ao ser procurada pela diretora da unidade escolar, Carla Bittencourt para ser informada da revogação do seu contrato de trabalho soube apenas que a demissão poderia ter relação com seus questionamentos em uma reunião do conselho escolar no início do ano. Segundo ela, na época pais, professores e alunos pediram solução para as condições precárias da unidade escolar, tendo recebido uma resposta negativa do Secretário Municipal de Educação, Antônio Carlos. A partir daí ela teria se manifestado pedindo o empoderamento de pais e professores para resolver os graves problemas estruturais da escola, diante da negativa do poder público.

Além disso, ela conta que em meados de junho foi colocada uma meta para organização dos livros didáticos,  quando foi mostrado ao coordenador pedagógico da escola que os livros não estavam sendo organizados corretamente no armazém da escola, visto que a mesma sequer possui biblioteca. No mesmo dia teria sido surpreendida em sala durante uma aula pelo vice-diretor Alexandro, que de maneira grosseira teria interrompido a aula e falado que “Ela estava achando demais e se ela não estivesse satisfeita com a arrumação dada pela direção da escola, que arrumasse ela mesma. E se estivesse insatisfeita, saísse da escola”. Motivo que a teria obrigado a registrar um boletim de ocorrência por assédio moral contra Alexsandro.

Ela ainda afirmou que nenhum professor incentivou a ação dos alunos, tendo esta partido da insatisfação dos mesmos com as atitudes da gestão da unidade escolar.

O outro lado

Ouvida pela redação do Maraú Notícias, a diretora da unidade escolar, Carla Bitencourt, nos relatou que o motivo da manifestação dos alunos teria sido a demissão da professora Izabella Salles, efetuada pela Secretaria Municipal de Educação no período do recesso junino. Para Carla, houve uma pequeno mal entendido, visto que a demissão não teve qualquer participação do grupo gestor da unidade escolar, chegando a causar certo espanto à direção do colégio, que recebeu a ordem de demissão durante o recesso, e por isso só pode comunicar o fato à professora logo após o retorno às aulas.

Ela ainda afirma que o Secretário Municipal de Educação não estava a par de nenhum conflito específico entre a professora e o vice-diretor em questão e que alguns professores se aproveitaram da situação para incitar os alunos contra o vice-diretor que estava presente na escola ontem (06), causando tumulto durante as aulas.

Alguns alunos, relata, chegaram a arremessar bolas de papel e espalhar cartazes contra o vice-diretor, motivando a emissão de suspensões que foram duramente contestadas por parte do corpo docente. Um professor teria exigido, de forma verbalmente agressiva, que as suspensões fossem revogadas, incitando os alunos a não obedecerem. Fazendo com que os alunos se sentissem à vontade para irem contra e em coro gritar levando a uma exposição vexatória do vice diretor Alexsando Santos Muniz, filmada por uma professora.
Sobre a suspensão das aulas no turno matutino hoje (07), ela afirma que a medida foi tomada por precaução, pois havia relatos de alunos que pretendiam depredar o patrimônio escolar e, além disso, houve reunião do sindicato dos professores (APLB) no mesmo turno, inviabilizando o transporte de alunos que não residem na vila de Barra Grande o que poderia prejudicá-los academicamente, mas as aulas aconteceriam normalmente no turno vespertino. Ela encerrou, falando que lamenta o ocorrido e procurou o secretário municipal de educação para mediar a situação, fato que deve acontecer na próxima semana.

 

 

 

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Um comentário

  1. Louvável a atitude dos alunos em reivindicar mas convenhamos, temos pessoas melhores e da própria terra que suprira essa lacuna. A Professora não era de Barra Grande, e tem sua vida muito bem definida, portanto como ela trabalhava parecia mais que estava fazendo bico do que dando aula. Isso certamente influencia ao comportamento fora da faixa dos alunos. Afinal a referência era ela. Precisamos da apoio e oportunidades as pessoas que aqui residem e precisam do trabalho.
    O vice-Diretor e um cargo de confiança da Prefeitura, portanto deve reunir os requisitos básicos para tal função, eu acho.
    Não podemos aceitar as imposições, mas o contraditório faz parte do crescimento humano. Seria muito bom para o Município que a mão de obra da terra fosse toda aproveitada, claro que pessoas de outras localidades que reúnam capacidade para o trabalho especifico serão bem-vindas, mas no momento precisamos de uma grande reformulação em nosso colégio, precisamos de compromisso, não apenas o interesse por cargos ou dinheiro. Ser professor vai bem além do simples salario, tem que ter amor ao que faz e querer transmitir coisa que poucos estão fazendo.
    Portanto na minha opinião o que houve foi um barulho claro que legitimo, mas que com uma simples canetada a Prefeita certamente resolvera toda essa situação, colocando de novo a ordem no colégio e sim afastando os forasteiros que estão aqui por status ou pelo dinheiro, esquecendo que “EDUCAÇÃO E BEM MAIS” que receber o salário no final do mês e fingir que deu aula.

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