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Em Salvador, blocos chamam a atenção para o combate ao racismo

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As bandas e os artistas que se apresentaram durante o carnaval de Salvador aproveitaram o espaço dos blocos e a visibilidade da festa para chamar a atenção

dos foliões para temas voltados aos direitos humanos e à violência. Este ano, as denúncias foram sobre o racismo. A cidade atrai pessoas de diferentes partes do país e do mundo e, apesar de ter a maioria da população formada por negros, ainda enfrenta casos de discriminação.

Um deles ocorreu com o advogado e compositor do Olodum Leandro Oliveira. O texto que expressa o desabafo foi publicado em uma rede social pelo presidente do grupo, João Jorge Rodrigues. Segundo o texto, Oliveira teve dificuldades de entrar em um camarote, no circuito Barra-Ondina, apesar de estar vestido com a camisa do evento. O compositor relatou que os seguranças do local exigiram dele a apresentação do ingresso, enquanto a mesma abordagem não era feita a pessoas de pele clara. O radiojornalismo da Empresa Brasil de Comunicação (EBC) tentou entrar em contato com a equipe do camarote, mas não obteve resposta.

“Isso não tem o menor cabimento. Acho que é inconcebível hoje, na cidade mais importante de matrizes africanas nas Américas, acontecer esse tipo de coisa. Nós lamentamos profundamente que isso tenha ocorrido. Com certeza, a gente repudia veementemente qualquer tipo de ação discriminatória”, disse o vice-coordenador do carnaval de Salvador, Isaac Edington.

Durante as apresentações em um dos palcos, um bloco de raízes africanas, o Cortejo Afro fez um protesto. Representantes do grupo deitaram na avenida para lembrar o caso dos jovens mortos pela Polícia Militar no bairro do Cabula, no início do mês. Diante das manifestações, o secretário de Segurança Pública da Bahia, Maurício Barbosa, disse que a Polícia Militar deve ser enérgica, já que houve troca de tiros entre os homens e a polícia. Segundo o secretário, os mortos eram suspeitos de planejar um assalto a banco.

O editor-chefe do blog Mídia Periférica, Enderson Araújo, criticou os oficiais e sofreu ameaças tendo, inclusive, que deixar Salvador. “Ele [o policial militar] parou e falou que era melhor eu parar de criticar quem realmente fazia a segurança na comunidade, senão eu iria ficar sem segurança. Foi isso que me deixou muito assustado”, disse em entrevista à equipe de radiojornalismo da EBC.

Segundo o blogueiro, o carnaval em Salvador é desigual. Por ser da periferia e não ter dinheiro para participar dos blocos, a juventude negra vai para a chamada pipoca, o lado de fora das cordas. “Na pipoca é que acontece tudo de ruim. Cordeiro que briga com folião, aí vem um policial – em sua maioria negros – e acaba batendo muitas vezes em pessoas inocentes.”

O caso do bairro do Cabula está sendo investigado pelo Ministério Público. Testemunhas afirmam que se trata de uma execução, já que os jovens estavam rendidos e desarmados no momento em que morreram. Para a vice-presidente do Conselho de Desenvolvimento da Comunidade Negra de Salvador, Vilma Reis, a população brasileira precisa se unir para combater esse tipo de ação. “Eu gostaria de pedir a todo o país que se encarregue de não deixar que essa seja uma luta exclusivamente do movimento negro, das organizações negras.”

*Colaborou Michèlle Canes, da Agência Brasil

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