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União da Ilha, Imperatriz e Tijuca fecharam o desfile do Grupo Especial no Rio

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A União da Ilha, com o enredo Beleza Pura?, foi a quarta escola a desfilar no Sambódromo já na madrugada de hoje (17). Este ano, a

escola da Ilha do Governador, que fica na zona norte da cidade do Rio de Janeiro, resolveu fazer uma crítica com muito humor sobre o culto ao corpo. O carnavalesco Alex de Souza desenvolveu o enredo destacando a questão da estética nas pinturas e esculturas e até o fenômeno das selfies.

Sambódromo momentos antes de começar o segundo dia do desfile das Escolas de Samba Especiais (Tânia Rêgo/Agência Brasil)

Sambódromo momentos antes de começar o segundo dia do desfile das escolas de samba do Grupo Especial do carnaval do RioTânia Rêgo/Agência Brasil

A atriz Cacau Protásio veio na comissão de frente. Ela, que encarnou a personagem Branca de Neve das histórias infantis, considerou importante poder apresentar uma Branca de Neve fora dos padrões mostrados nos livros.

“Hoje em dia o mundo tem que mudar, porque não existe só mulher magra. É gorda, é baixa, é alta, é magra, é ruiva é cadeirante. É todo tipo de mulher, e a beleza realmente está no interior. Acho também que existem Brancas de Neve, Barbies e Cinderelas, pretas, brancas, gordas e altas, e estou muito feliz”, disse a atriz que é gorda e negra.

Cacau ressaltou que foi a primeira vez que ela desfilou na comissão de frente de uma escola de samba. “Foi maravilhoso. O público levantou. Os jurados aplaudiram a nossa comissão de pé”.

Ao fim do desfile, vários componentes da escola, empolgados com a apresentação, não queriam sair da Praça da Apoteose e, quando a bateria chegou ao local, a festa ficou completa. O público nas arquibancadas populares vibraram cantando o samba-enredo e, aos gritos, disseram: “é campeã”.

Paulo Amargoso, presidente de honra da União da Ilha, é também um dos fundadores da escola. Aos 91 anos, ele passou na avenida sentado em um banco no último carro da escola junto com a Velha Guarda da Ilha. Deixou o carro, na dispersão, sorrindo ao lado de duas netas, porque considerou que a escola fez um excelente desfile e com muita descontração. “Saio com muita satisfação. A Ilha sempre foi assim. Acho que tem condições de ganhar”, analisou.

A Imperatriz Leopoldinense, escola do bairro de Ramos, na zona da Leopoldina, foi a quinta agremiação a se apresentar. Ela levou para o Sambódromo o enredo Axé, Nikenda! Um ritual de liberdade e que a voz da igualdade seja sempre a nossa voz.

A escola falou da África, da influência da cultura daquele continente no Brasil e de conquistas dos negros. O último carro trouxe a figura de Nelson Mandela como se ele contasse a sua experiência de vida aos brasileiros.

Uma componente passou mal no alto de um carro. Com ele em movimento, foi acompanhada por uma equipe de socorristas dos Bombeiros. “Acho que não vai dar. Não vou conseguir”, dizia a componente antes de receber o atendimento médico.

No fim do desfile da Imperatriz, o carnavalesco Cahê Rodrigues preferiu não fazer uma avaliação do desfile e destacar o tema do enredo. “Eu estou muito emocionado para falar muito. Só tenho a dizer: racismo nunca mais!

Já a Unidos da Tijuca, sexta e última escola a desfilar no Sambódromo, nesta terça-feira, fez até nevar na Marquês de Sapucaí para falar da Suíça. Os componentes sofreram com roupas pesadas e quentes. Na hora do desfile, a sensação térmica no Sambódromo era 28 graus Celsius.

A moradora da comunidade da Tijuca, na zona norte do Rio, e frequentadora da escola há 16 anos, Efigênia Maria Gonçalves sentiu calor, mas ponderou que o incômodo não é maior do que a alegria de desfilar pela escola do coração. “Vale a pena com certeza. A roupa é quente, mas para sair na Tijuca não tem nada quente”, disse.

A Unidos da Tijuca apresentou o enredo Um conto marcado no tempo – O olhar suíço de Clóvis Bornay. Um dos mais importantes foliões do carnaval do Rio de Janeiro, Clóvis Bornay se destacou nos concursos de fantasias que ocorriam no Theatro Municipal, no Copacabana Palace e no Hotel Glória.

Um dos destaques do desfile foi o carro alegórico que ressaltava o chocolate, um dos produtos de exportação da Suíça, país de nascimento de Clóvis Bornay. Além de mostrar uma cascata de chocolate, os componentes no alto do carro distribuíam o produto para o público na Marquês de Sapucaí.

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