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Público trans terá apoio de programa social da prefeitura de São Paulo

No Dia Nacional da Visibilidade Trans, comemorado hoje (29), um programa de apoio a transexuais e travestis foi lançado pela prefeitura de São Paulo. A iniciativa, chamada de Transcidadania, oferece bolsas

de R$ 840, oportunidade de estudo e qualificação profissional, a fim de afastá-las da prostituição e da violência que sofrem nas ruas.

Uma das 100 primeiras beneficiárias, a paulistana Aline Marques contou sobre o sonho de ser professora, mas também do pesadelo que era encarar os colegas de classe. O preconceito sofrido na escola, fez com que ela se afastasse dos estudos e, mais tarde, sua única alternativa foi a prostituição.

“Não queremos só estudar, queremos também trabalhar, é por isso que estamos aqui. Precisamos parar com esse estigma de que lugar de travesti é na esquina. Não é na esquina! O nosso lugar é nas escolas, o nosso lugar é nas empresas”, disse já chorando. “Quantas vezes eu lutei para estar no mercado de trabalho e fui negada. E o único lugar que eu encontrei foi a rua, com pessoas traficando perto de mim”, completou.

Ciarah Pitman, que está há cinco anos na cidade e veio do Nordeste, disse que essa é a primeira oportunidade que tem de estudar, e vê isso com muito otimismo. “A partir do momento que você tem conhecimento, tem como estudar, tem um local que te protege e te indica para áreas do mercado de trabalho, você tem um crescimento pessoal e profissional”, disse.

Ela afirmou que transexuais e travestis sempre foram um grupo da sociedade à margem. “Para alguns homens e para a sociedade machista, a gente é da noite. De dia, se desfazem de mim e, à noite, vão lá me procurar”, destacou. “A gente quer mostrar que é capaz de ocupar os mesmos cargos que todos”.

Para o secretário municipal de Direitos Humanos, Rogério Sottili, travestis e transexuais têm a história marcada por muita violência e intolerância. Ele citou que o Brasil é o país onde mais acontecem assassinatos desse público.

De acordo com relatório divulgado pela organização não governamental international Transgender Europe, entre janeiro de 2008 e abril de 2013 foram assassinados 486 travestis e transexuais no país. “Quatro vezes mais do que no México, que vem logo em seguida”, acrescentou.

Além disso, ressaltou que essa é uma iniciativa inédita na América Latina. “É a primeira vez que um governo latino-americano desenvolve um programa intersetorial nesses moldes, tendo como objetivo dar dignidade a uma população historicamente marginalizada, exposta a tantos riscos, abusos e violações”, afirmou Sottili.

O prefeito Fernando Haddad reconheceu a questão histórica de discriminação, preconceito e violência contra o público trans. “Ao compreender a diversidade no seu sentido mais profundo, [é possível] exigir do poder público as iniciativas necessárias para garantir direitos e promover a reparação quando for o caso. Aqui [no caso de transexuais e travestis], nós estamos diante de uma reparação”, disse.

Ele falou da dificuldade de essa população concluir os estudos, muitas vezes sem o respaldo da família, levando a “uma condição extremamente inferiorizada, sem a sua dignidade respeitada, sem oportunidades garantidas, e aí o universo dessas pessoas vai ficando cada vez mais limitado”.

Por isso, neste programa, a bolsa em dinheiro está condicionada a ações de escolaridade e qualificação profissional. São atividades com duração de dois anos. Entre elas, aulas no ensino fundamental e médio pela Educação de Jovens e Adultos, cursos no Pronatec e também estágio. As aulas têm início em 4 de fevereiro, e as bolsas serão distribuídas também no próximo mês.

Aliado a isso, três abrigos da cidade já foram capacitados para receber o público trans:  um deles com dormitório, reservado somente para travestis e transexuais, na Avenida Zaki Narchi, zona norte da capital; e duas unidades Básicas de Saúde, nas praças da República e da Sé, oferecerão tratamento hormonal.

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