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Central Única de Favelas faz 17 anos e ganha espaço cultural no Rio

A Central Única de Favelas (Cufa), que está completando 17 anos de atuação em comunidades do estado do Rio de Janeiro, ganhou hoje (29) o  Espaço Cultural Marina Soares Athayde, localizado

sob o Viaduto Negrão de Lima, em Madureira, na zona norte da cidade. O nome do espaço homenageia a mãe do fundador da Cufa, Celso Athayde, que durante quatro anos abrigou-se no local juntamente com os filhos.

O espaço conta com quadra poliesportiva, salas de aula, refeitório e setor administrativo e visa a integração dos jovens de favelas dominadas por facções rivais. A Cufa mobiliza cerca de 96 mil jovens e se destaca por alguns projetos, como a Taça das Favelas,   torneio de futebol disputado por times formados nas comunidades.

As ações realizadas pela organização não governamental (ONG) estão presentes em 300 favelas,   com atividades culturais e esportivas. A Cufa também promove ações para moradores de favelas em 27 estados e até em outros países. As crianças e jovens têm a oportunidade de participar de oficinas de basquete, dança, grafite e teatro, além de aulas de inglês.

De acordo com o fundador da Cufa, a relação dele com a área agora ocupada pelo espaço cultural tem uma história vivida por ele, a mãe e o irmão. Durante os anos em que morou em baixo do viaduto com sua família, Celso Athayde sonhava em transforma-lo em algo que  pudesse ser desfrutado  com outras pessoas que também não tinham oportunidade na vida.  Ele era morador de rua e chegou a praticar furtos, mas a realidade vivida agora, anos depois, é outra.

“Eu nunca pensei sequer em trabalhar com movimento social, porque o que eu pensava naquela época era apenas como iria sobreviver no dia seguinte. Pensar dois dias depois, isso era uma coisa que não fazia parte do nosso dia a dia, mas de qualquer maneira, sempre que eu fazia as minhas besteiras em Madureira, os meus furtos, eu era agredido pelos guardas e dizia que quando  eu crescesse eu ia expulsar os guardas aqui do viaduto ia comprar o viaduto. Isso não aconteceu e os guardas hoje não são os mesmos e tornaram-se parceiros que ajudam a cuidar do espaço.  Hoje esse local nada mais é do que um espaço com dignidade de qualificação para outras pessoas e outros jovens”, disse o fundador da Cufa.
 

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