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Campos da Paz provou viabilidade da medicina pública, diz ex-procurador-geral

O corpo do ortopedista que fundou a Rede Sarah de Hospitais, Aloysio Campos da Paz Júnior, é velado no hospital Sarah Kubitscheck, em Brasília (Antônio Cruz/Agência Brasil)

O corpo do ortopedista Aloysio Campos da Paz será sepultado às 17h no Cemitério Campo da Esperança, na Ala dos Pioneiros Antônio Cruz/Agência Brasil

Na manhã

de hoje (26) o Hospital Sarah Kubitschek, no centro de Brasília, foi palco de despedida do médico ortopedista e idealizador da Rede Sarah de Hospitais, Aloysio Campos da Paz Júnior. O corpo foi velado na própria unidade, em uma cerimônia que comoveu amigos, parentes e pessoas que acreditavam no projeto de Campos de construir um centro de assistência médica pública que atendesse a todos, sem distinção.

“Ele [Campos] demonstrou que a medicina pública é viável e pode funcionar tão bem ou melhor que qualquer instituição privada. Essa foi uma crença que acompanhou o Dr. Campos da Paz durante toda a vida”, disse o ex-procurador-geral da República e integrante do Conselho Administrativo do Hospital, Roberto Gurgel, ao lembrar do colega, que “vivia exclusivamente pra isso”.

Campos morreu ontem (25), por volta das 14h30, de insuficiência respiratória. De acordo com colegas que estavam presentes no momento da morte, ele estava trabalhando, pediu pra descansar um pouco e não aguentou. Os colegas afirmam que ele já vinha, há algum tempo, apresentando um estado mais frágil. Ontem “ele estava muito fraquinho”, disse a atual diretora-presidente do hospital, Lúcia Willadino Braga.

O dentista Frederico Salles, de 83 anos, lamentou a morte do médico, que, para ele, “era um corpo estranho na sociedade médica e um homem de conhecimento médico excepcional”.

Também participou do velório o ex-presidente e senador José Sarney (PMDB-AP), que já integrou o Conselho da Associação das Pioneiras Sociais, entidade sem fins lucrativos que tem o objetivo de prestar assistência médica e que possibilitou a criação da Rede Sarah. Campos era uma pessoa “que fazia tudo aquilo que imaginava e pensava. É a ele que devemos a criação dessa rede de hospitais”, destacou o ex-presidente.

Sarney lembrou que “ele [Campos] criou métodos exemplares de administração hospitalar, como o da medicina que presta atendimento aos mais pobres com o mesmo nível ao qual os ricos têm acesso”.

A Rede Sarah é referência em medicina ortopédica no Brasil. Segundo amigos do fundador da rede, o segredo para essa conquista está em algumas particularidades, como, por exemplo, a da exclusividade do profissional médico, que trabalha apenas no hospital. “Os médicos do Sarah têm remuneração adequada e são exclusivos. Levamos também o ensinamento de Campos de valorizar todos os funcionários que fazem parte da rede”, destacaram profissionais da rede.

Campos tinha 80 anos de idade e exercia o cargo de cirurgião-chefe da instituição. O corpo será velado na Capela 10 do Cemitério Campo da Esperança e será sepultado às 17h, na Ala dos Pioneiros.

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