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Líder muçulmano teme que intolerância religiosa traga violência ao Brasil

Integrantes da Comissão de Combate à Intolerância Religiosa participam de ato em solidariedade às vítimas de atentados. Na foto, os sheiks Rodrigo Jalloul e Mohamad Al Bukai (Fernando Frazão/Agência Brasil)

Os xeiques Rodrigo Jalloul e Mohamad Al Bukai criticaram atos violentos como forma de defesa do islamismoFernando Frazão/Agência Brasil

O diretor da União Nacional das Entidades Islâmicas,

xeique Mohamad Al Bukai, que é muçulmano sunita, teme que a violência praticada por intolerância religiosa possa se estender ao Brasil. Para ele, o país é um exemplo de convivência harmoniosa e, por isso, a violência tem que ser condenada. “Terrorismo não tem religião. A nossa comunidade islâmica já está consciente e considera o Brasil como seu país. Os muçulmanos são brasileiros aqui e fazem parte deste tecido maravilhoso. Espero que não estraguem essa convivência. Termo porque tem sempre o risco. Quando o interesse fala mais alto do que os direitos humanos, fico com medo. Quando a política e o ego falam mais alto, eu tenho medo mesmo”, disse à Agência Brasil.

Al Bukai disse que é preciso fazer diferença entre crime e direitos humanos. O líder muçulmano criticou o uso da violência para defender a religião. “É injusto quando se liga a religião com esses crimes. Não só contra o Islã, mas com outras religiões”, defendeu, acrescentando que o caminho para as soluções das divergências tem que ser pelo diálogo.

Para o xeique, a liberdade de expressão não significa desrespeitar os outros, mas ter responsabilidade sobre os próprios atos. “A religião é a base do amor pelo próximo. Todos somos descendentes de uma família só. Todos somos moradores de um mesmo planeta. Como se estivéssemos em um avião só. Qualquer erro de um membro não prejudica ele só. Vai prejudicar todos. A gente tem que ter essa consciência. A nossa política tem que ser humanitária e não só econômica”, analisou.

Mohamad Al Bukai participou hoje (21) da reunião de líderes religiosos contra a intolerância religiosa e a liberdade de expressão, na sede da Associação Brasileira de Imprensa (ABI), no centro do Rio de Janeiro, em uma parceria da entidade, com a Comissão de Combate à Intolerância Religiosa (Ccir) e o Centro de Articulação de Populações Marginalizadas (Ceap).

Para o primeiro clérigo xiita brasileiro, xeique Rodrigo Jalloul, do Centro Cultural Imam Hussein, que também estava no encontro, atualmente, os muçulmanos estão sendo discriminados em várias partes do mundo, além de serem mortos pelos próprios grupos terroristas que justificam os atos violentos como forma de defesa do islamismo. “Eu acredito que o primeiro passo para a sociedade para não ter o fanatismo é orientar a questão do respeito. Isso parte da junção dos líderes religiosos, então cristianismo, judaísmo, umbanda, candomblé. Não importa a religião. Os líderes têm que estar unidos e mostrar para as suas comunidades que estamos unidos e temos respeito entre uns e outros”, disse.

O nigeriano e pastor evangélico da Igreja Voz de Deus, Ayodeli Balogun, de Jacarepaguá, na zona oeste do Rio, presente na reunião, indicou que o respeito é o centro de toda a discussão. Como estrangeiro, ele disse que no Brasil existe um ambiente de aceitação de outras crenças que precisa ser preservado. “O Brasil está abraçando diversas pessoas de outros países e de diversas religiões, que são refugiados aqui. Esse calor humano e essa amizade no Brasil tem que continuar”, analisou.

O pastor defendeu ainda que o encontro dos líderes religiosos deve ser um caminho para outros países como forma de evitar a Terceira Guerra Mundial. “Deus está querendo que oremos para que não aconteça a Terceira Guerra Mundial por causa da intolerância. Vamos orar por este mundo e pelo meio ambiente. Vamos cuidar deste mundo”,

Já o presidente da Federação Israelita do Rio de Janeiro, Paulo Maltz, destacou que a constituição brasileira assegura que qualquer um pode professar a sua fé da maneira que quiser e espera que o país, que tem casos de divergências religiosas, não chegue ao ponto do que ocorreu na França. “É este tipo de intolerância que não temos no Brasil e espero que nunca venhamos a ter. É a intolerância que leva à agressão física e a tirar vida de inocentes”, disse Maltz, que também esteve no ato.

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