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Saúde e Cufa mobilizam periferias para combater o Aedes aegypti

Uma grande ação de combate ao mosquito Aedes aegypti foi lançada hoje (16) na Rocinha, comunidade da zona sul do Rio de Janeiro. A iniciativa Faxinaço Zika Zero reúne o Ministério da Saúde e a Central Única das Favelas (Cufa) para mobilizar moradores das periferias de todo o país a fim de eliminar de suas casas possíveis focos do mosquito que transmite os vírus Zika, da dengue e chikungunya.

O secretário de Ciência, Tecnologia e Insumos Estratégicos do ministério, Eduardo Costa, disse que o problema dessas doenças é agravado em comunidades mais carentes, onde há falta de saneamento, coleta de lixo e habitações precárias.

“Gente muito sofrida, que trabalha muito, com pouco tempo, às vezes, para se dedicar a todas as tarefas que têm que fazer. E a gente tem que despertá-los, porque essa proteção da vida deles, de um modo geral, das condições de trabalho, de saúde, é fundamental” para esse combate, em última análise, junto com todos, para resolver o problema da Zika no Brasil”.

Costa lembrou que não cabe apenas aos governos combater o mosquito. “É um problema grave e está nas mãos de todos, não está nas mãos do governo sozinho, do estado sozinho, da prefeitura. Está nas mãos de todos nós essa luta e, portanto, as comunidades que mais sofrem com isso são as que têm que ser mais mobilizadas”.

O evento contou com a participação do rapper MV Bill, que falou sobre a importância de se combater o mosquito. Ele lembrou que, por causa do inseto, “tem gente ficando em cadeira de rodas”, citando a síndrome de Guillain-Barré, que causa paralisia. Além disso, estudos indicam que pode haver relação entre a doença e o Zika vírus.

“Essa doença, Zika, foi descoberta na década de 40, muitos de nós aqui não éramos nem nascidos. Só que a Zika só matava gente negra lá na África, em Uganda. Só virou epidemia mundial quando saiu da África e começou a matar outras pessoas. A gente não precisa esperar acontecer uma devastação aqui no Brasil, muitas pessoas morrerem, para ficar atento à importância da mobilização. Essa não é uma questão governamental apenas. Não adianta se eu limpo a minha casa e o vizinho não limpa a dele”.

O Faxinaço Zika Zero conta com lideranças da própria comunidade, profissionais de saúde e da educação, que visitam as casas para identificar os focos. O morador é convidado a entrar para a “corrente” e ajudar na vistoria das casas vizinhas. Na ação também são distribuídos panfletos e material para ajudar na limpeza, como luvas, buchas, escovões e baldes.

Uma dessas voluntárias na Rocinha é a moradora Valdirene Gonzaga de Souza, que teve três pessoas próximas a ela infectadas com o Zika, inclusive sua neta. Para ela, apesar das campanhas, muita gente ainda não fez a sua parte. Valdirene lembrou que, em muitos casos, não se encontra alguém em casa, ou a pessoa não se interessa, só se preocupa quando há um caso na família, aí ela procura ter mais cuidado e leva a sério”.

Agora à tarde, a ação será na sede da Cufa, em Madureira, na zona norte do Rio, e amanhã na Vila Kennedy, na zona oeste. Em maio, estão previstas ações em comunidades de Salvador e Aracaju, nos dias 7 e 8, e do Recife e de João Pessoa, nos dias 21 e 22.

A mobilização integra o Plano Nacional de Enfrentamento ao Aedes aegytp e à Microcefalia, lançado em dezembro pelo governo federal. Entre as ações já executadas, além das mobilizações nos prédios públicos, estão a Semana da Família na Escola, feita em 223 municípios considerados prioritários para o combate ao mosquito, e a Semana da Saúde na Escola, que abrangeu 18 milhões de estudantes em 4.787 municípios.

Pelo balanço do Ministério da Saúde, de outubro de 2015 até o dia 9 de abril tinham sido confirmados 1.113 casos de microcefalia em bebês e outras alterações do sistema nervoso que sugerem infecção congênita, com 235 óbitos. Os casos foram confirmados em 416 municípios de 21 estados, mais o Distrito Federal.

*Colaborou Tâmara Freire, repórter do Radiojornalismo


fonte: Agência Brasil

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