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Paulistanos esperam até cinco horas para tomar vacina contra H1N1

A grande procura pela vacina contra a gripe H1N1 está lotando as clínicas que oferecem a imunização na capital paulista. As filas de espera chegam a cinco horas em alguns locais.

A advogada Priscila Belvilacquía chegou às 7h30 em uma das instituições particulares que oferece a vacina e às 11h46 ainda não tinha sido atendida. “A gente não sabia se vinha ou não. Mas agora que eu vim, a gente vai ficar até o final”, disse Priscila, que também levou a filha Laura, 6 anos, para ser imunizada.

Na segunda-feira (28), o secretário municipal de Saúde, Alexandre Padilha, anunciou que a capital paulista está passando por um surto da doença. Este ano, oito pessoas morreram devido à evolução da gripe causada pelo H1N1 para síndrome respiratória aguda grave (SRAG). Na maior parte dos casos de morte (87,5%), os pacientes apresentavam comorbidade, ou seja, tinham outra doença que foi agravada pelo H1N1. No ano passado, nenhuma morte por H1N1 foi registrada na cidade.

No estado de São Paulo, até o último dia 22, foram notificados 324 casos de SRAG. Desse total, 260 foram relacionados ao vírus A (H1N1). Devido ao número de ocorrências, a Secretaria Estadual de Saúde resolveu antecipar a vacinação de 3,5 milhões de pessoas, prevista inicialmente para começar em 30 de abril. A partir do dia 8, os profissionais de saúde de hospitais públicos começarão a ser imunizados, e no dia 11 a vacinação será aberta para as crianças maiores de seis meses e menores de cinco anos, além de gestantes e idosos.

Fora desses grupos, considerados de risco, a estudante Tamires Vasconcelos aguardava sentada na calçada em frente à clínica de vacinação na região dos Jardins, zona oeste paulistana. A jovem de 22 anos aproveitou o tempo para adiantar os exercícios do curso de engenharia civil. “Ainda tenho que ir para a faculdade, sai da aula para vir para cá”, disse. “Venho todos os anos, só para prevenir”, acrescentou.

Em outra clínica, na região do Ibirapuera, na zona sul paulistana, a espera também durava várias horas. Segundo os funcionários que organizavam o público, as senhas para atendimento esgotaram às 9h30, mas ao meio-dia ainda chegava gente procurando a vacina. Por volta desse horário, o empresário Rogério Damasceno, que havia chegado às 9h, calculava que ainda teria de esperar mais 2h30 para ser atendido. “Acho que vale a pena, principalmente para ele”, disse, apontando para o filho Miguel, 2 anos.

Risco superestimado

A infectologista do Hospital Emílio Ribas Rosana Richtmann disse que, apesar da possibilidade do H1N1 evoluir para casos graves, há um pouco de exagero sobre o perigo da doença. “Acho que esse risco está superestimado. O risco de fato existem mas, sobretudo, nas populações mais vulneráveis”, ressaltou a médica em entrevista à Agência Brasil.

A especialista explicou que, de acordo com os dados disponíveis até o momento, o vírus H1N1 é uma variedade da gripe que provoca mais casos graves e mortes do que os tipos mais comuns da doença. “Todo o Influenza [vírus da gripe] dá um quadro clínico muito semelhante. Não dá para saber, pelo quadro clínico, se é Influenza B ou H1N1. Agora, a hora que você vai ver estatisticamente, você acaba tendo uma tendência a ter formas mais importantes, levando aos hospitais e à terapia intensiva quando é o H1N1”, explicou.

Segundo Rosana, a intensidade da doença também está relacionada ao estado de saúde e à resistência do paciente. As crianças, no entanto, merecem atenção especial, de acordo com a médica. “As crianças excretam mais vírus do que um adulto, do que um idoso. As crianças funcionam como multiplicadores dos casos”, disse, ao destacar a importância da vacinação dessa parcela da população. “Para uma proteção individual, sem dúvida a vacina é a mais adequada.”

A especialista disse ainda que, em caso de sintomas apresentados por idosos, crianças ou gestantes, é importante procurar atendimento médico. “No caso de um paciente do grupo risco, se ele tiver sintomas respiratórios, associados à febre alta ou dor de garganta, é bom procurar o serviço médico para ter acesso ao antiviral nas primeiras 48 horas”, recomendou.


fonte: Agência Brasil

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