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Alerj acompanha investigação sobre mortes dos mototaxistas no Rio

Parentes dos mototaxistas Ramon de Moura Oliveira, de 22 anos, e Rodrigo Marques Lourenço, de 29 anos, encontrados mortos na última sexta-feira (15), no Morro de São Carlos, no Catumbi, região central do Rio, estiveram reunidos na manhã de hoje (18) com integrantes da Comissão de Defesa dos Direitos Humanos e Cidadania da Assembleia Legislativa (Alerj) para denunciar as condições que envolveram a morte dos dois rapazes.

De acordo com o presidente da comissão, deputado Marcelo Freixo (PSOL), foi um momento importante escutar os parentes, mas os depoimentos na Divisão de Homicídios (DH) são de fundamental importância para ajudar na investigação.

“Eles foram executados. São marcas de execução. Nós vamos esperar o resultado da perícia, esperar a investigação da Divisão de Homicídios, em quem a gente tem total confiança até pelo o que já vivemos recentemente, mas não é só investigação policial de que os parentes necessitam. Eles precisam de um atendimento psicológico de imediato e isso a comissão de direitos humanos está viabilizando”, disse.

Segundo Freixo, o relato dos parentes mostra que eles não têm dúvidas da autoria do crime e que precisam de apoio neste momento. “Eles não têm a menor dúvida da autoria. Havia uma operação policial. Há quem tenha visto eles serem abordados pela polícia. Logo depois, eles foram levados para o lugar onde os corpos apareceram no dia seguinte, quando foram encontrados.”

O laudo do Instituto Médico-Legal (IML) aponta que a morte de Oliveira foi decorrente de ferimentos transfixantes nos pulmões e coração por projétil de arma de fogo. No caso de Lourenço, o relatório aponta ferimentos transfixantes no encéfalo, também por arma de fogo. Os parentes e amigos aguardam o laudo da Polícia Civil. Outros moradores, presentes na reunião, contaram que têm medo, e que mais problemas podem surgir na comunidade.

A mãe de Ramon Oliveira, Margareth de Moura Oliveira, disse que o filho e Lourenço eram amigos e conhecidos como Tico e Teco. Segundo ela, o pai de Ramon sempre ensinou o filho a tomar cuidado com os policiais.

“Isso não é policial, é um monstro. Meu marido nunca falou para ele ter cuidado com os bandidos, mas com a polícia, ele sempre disse [isso] porque é uma raça covarde que humilha. Eu sei que eu não vou ter mais meu filho de volta, mas foi uma parte minha. Uma morte cruel, bruta e sei que na hora que ele viu tudo isso ocorrer a primeira coisa que ele falou foi ‘eu quero a minha mãe’, porque era assim que ele fazia. Toda dor, tudo que ele sentia, a primeira pessoa que ele procurava era a mim”, disse Margareth.

A mãe de Rodrigo Lourenço, Mariangela Marques Lourenço, disse que o filho sempre ia para casa por volta das 22h, quando retornava do trabalho. “Nós procuramos ele à noite toda em delegacias, no hospital e não tivemos resposta de nada. Na manhã seguinte, os moradores da comunidade informaram que o corpo dele estava no alto do morro. Ele nunca fez isso. Ele sempre me ligava e dizia que estava subindo, mas naquele dia deu o horário e meu filho não veio. Eu já estava cansada de ligar e quando chegou uma certa hora falei para minha filha ‘meu filho não me atende, meu filho está morto. Não sei como, mas meu filho está morto'”, relatou.

Mariangela disse ainda que no dia da morte do filho, havia uma operação do Batalhão de Operações Especiais da Polícia Militar (Bope) na região. Ela espera que justiça seja feita para que outras famílias não sintam a mesma dor que ela e a mãe de Ramon Oliveira estão sentindo.

“Ele deve ter falado ‘não me mata pelo amor de Deus porque tenho um filho para criar’ e isso não comoveu. Porque, [quando] meu filho [estava] dentro do caixão, uma lágrima estava no canto do olho dele. Isso, para uma mãe, é a pior coisa que tem. Eles não respeitam a comunidade, que está ao deus-dará. São coisas horríveis que acontecem. Só quem mora em uma comunidade é que presencia do que são capazes. Eu quero justiça, não pode ficar impune”, disse Mariangela.

Segundo a mãe de Lourenço, as pessoas que moram em comunidade sofrem com a ação da polícia e temem denunciar abusos por medo de represálias. “Se todo mundo tivesse coragem de denunciar, o nosso Brasil não estava assim. Eles chegam e aterrorizam. A vida do ser humano não está valendo mais nada. Eles estão executando sem saber quem é. Está muito ruim aquele convivio ali com a polícia. Não tem projeto social para ninguém. É só tiro. Você só ouve tiro. Eles chegam e não sabem abordar as pessoas, querem mostrar autoridade apontando fuzil. Não existe. Cadê o treinamento que eles dizem que dão? Não tem treinamento.”

Na manhã da última sexta-feira (15), após a morte dos dois mototaxistas, moradores fizeram um protesto na Largo do Estácio, e atearam fogo a dois ônibus.

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